segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Pessoas boas estão na Sérvia. Neve na Bulgária.

08/10 - Entramos na Sérvia. A homenagem da vez foi para nosso amigo Clinton, que vai ter uma filha da sua namorada, a Sonja, ela é servia. 
A fronteira da Bósnia é um quiosque minúsculo e tem um espaço longo até a fronteira da Sérvia. Encontramos um camping muito aconchegante, nos lembrou os campings da Chapada, tinha um espaço pra ficar tranquilo, outro para cozinhar, coisa que os campings da europa meridional não tem. Passamos o dia descansando, que dizer, lavamos as bikes e a barraca. Nosso dia de descanso é dia de ralação, na verdade.

10/10 - O transito é muito tenso, gente fazendo besteira o tempo todo. A gente tinha que se preocupar mais com a galera vindo na outra faixa, pois o tempo todo tinha ultrapassagens zelas. Passamos por uma cidade grande comemos um sanduíche maravilhoso, baratinho. Diocampamos num lugar escondido na estrada. 

11/10 - Fizemos um volume bom, e estávamos necessitando de um banho. Vimos alguns preços de hotel, mas não estava na hora de ficar em hotel ainda, como os preços não estavam agradáveis, desistimos. Thiago estava meio triste por ter que ficar sem banho mais um dia. Fomos num posto, enchemos a ducha de agua quente e saímos a procura de um local para tomar banho. Tinha um prédio que não tinha ninguém, entramos por trás e tomamos nosso banho, ai que alívio. Agora é só arrumar um diocamping e dormir lindos e limpos. Avistamos um terreno com algumas casas com cerca, tinha um espaço perfeito para montar a barraca. Tinha uma família do lado de fora, fomos lá perguntar se podíamos acampar ali do lado de fora da casa, porém dentro do terreno. Ah, pra que. Vieram dois irmãos, a mesma cara, falar com a gente, Durde e a Marija. A primeira coisa que fizeram ao se aproximar, foi nos dar a mão para nos cumprimentar. Não faziam idéia do que queríamos, mas nos cumprimentaram com uma cara boa. Disseram que poderíamos acampar dentro do quintal deles, aceitamos e entramos. Marija já logo nos preparou um café, seguido de um bolo maravilhoso que ela tinha acabado de preparar. Como estavam la um casal da família que mora na Inglaterra, Kosana e Branko, conseguimos nos comunicar em inglês. Thiago tomou uma cerveja, eu já tinha enchido o bucho de bolo, quando Kosana nos convidou para um jantar. Um caldo de feijão com porco, preparado em um grande jarro de barro típico sérvio. Minha nossa, que caldo delicioso, de acompanhamento tinha uma salada de repolho e um queijo. Que prato gostoso! O detalhe é que estávamos a procura de feijão fazia tempo, a gente compra feijão enlatado para fazer a sopa da noite. Esse jantar foi um dos maiores picos de felicidade que tive nessa viagem. Poder ter essa experiência de estar dentro da casa de uma família servia comendo um belo jantar típico deles, foi muito bom. Estavam lá também,  o namorado de Marija, o Milenko, a Sara, uma garotinha muito fofa vizinha deles e o velho que eu chamei de Old Man, que velhinho mais bonitinho, seu nome é Slavko, pai do Branko. Além dos quatro cachorrinhos, um mais lindo que o outro, tinha um, o White, que eu fiquei louca de paixão. Que dog gostosinho. Fomos dormir muito felizes. Ainda bem que resistimos e não ficamos em hotel. 

12/10 - Niver do meu irmão querido, Dedé! Pela manhã, Kosana nos preparou um delicioso café da manhã, ovos com bacon. O old man, nos deu uma pinga para tomarmos antes do café, é tradição tomar uma dose. Fez a maior questão. Nos deu também um molho típico da Sérvia, feito com pimentões, delicioso demais, detalhe que eu nem gosto muito de pimentão, mas esse molho é divino, meio adocicado.  Depois de comer, demos um tempinho e fomos nos despedir. Tivemos que segurar o choro, sem brincadeira. Olhei pro Thiago, ele estava quase chorando, talvez um choro de gratidão pelo tanto que essa família foi boa pra gente. Foi difícil deixa-los sabendo que talvez nunca mais os veremos. A Sérvia passou a fazer sentido!

Homenagem ao nosso amigo Clinton, sua namorada servia vai ter um neném. Olha a gente segurando a Izabel.



























Camping muito lindo, próximo a entrada da Sérvia.


Mesmo cenário, visto de madrugada. Neblina muito forte.



Brincando com a longa exposição. Foto feita de madrugada. A lua ajudou na iluminação.



Lindo pôr do sol.


Primeiro diocamping na Sérvia. 


Família maravilhosa. Em cima: Durde, Milenko, Slavko (old mand), Thiago e Branko. Embaixo: Marija, Sara, Kosana, eu e os doguinhos.






15/10 - Passamos por uma cidade grande, comemos um hamburguer, mas nem tava muito bom. Olhamos na internet, recebemos um video do Deputado Tiririca mandando uma mensagem pra gente, ficou irado. 
Pedalando já longe da cidade, vejo um cachorrinho lindo na beira da estrada, eu com a minha mania de mexer com todos os cachorros, paro e vou lá falar com ele. O cachorro ficou louco, era filhote, ficava balançando o rabo, latindo meio choramingando, pulando, todo eufórico. Tentei acalmá-lo e nada. Até que tivemos que partir. Quem disse que ele deixava. Ele ficava se enfiando entre uma roda e outra impedindo a gente de pedalar. Ele não nos dava espaço, até que em um minuto de distração conseguimos sair pedalando, ele veio atrás. A gente acelerou bastante para despista-lo, até que chegamos numa subida e não é que o danado conseguiu nos alcançar. Ele corria muito, daí surgiu seu nome: Schumacher. Depois que nos alcançou não conseguimos mais pedalar, ele era muito esperto, sabia que entrando no meio da bike a gente não tinha como pedalar, ele também se ligava quando vinha carro, ia pra fora da estrada. Paramos, demos agua e comida pra ele recuperar as energias. Thiago tentou coloca-lo na garupa, mas ele não ficava. Passou pela nossa cabeça ficar com ele. Ficamos loucos por ele. Mas aí a razão falou mais alto. Não dá, a história ia ser linda, mas ia dificultar muito a viagem. Nossa barraca não cabe mais nada, nem sabemos o tamanho que ele vai ficar. Sem contar que ia ser um grande problema para entrarmos nos países da Ásia. Chegamos no topo de uma descida e decidimos que a melhor coisa a fazer era deixá-lo. Thiago desceu bem rápido e ele foi correndo atrás, eu ultrapassei ele e fomos embora. Deu muita dó. Foi muito difícil pra gente. Se tivéssemos pedalando pela América do Sul, dava pra ficar com ele. Enfim, foi a melhor decisão, na estrada não tinha acostamento e já estava ficando perigoso. Adeus Schumacher! Que você encontre seu caminho. Diocampamos atrás de uma Mesquita. Ficávamos falando: já pensou se o Schumacher aparece, ah aí eu ficava com ele. Esse cachorrinho deixou sua marca em nosso coração.

16/10 - Acordei malzona do estômago, acho que foi o hamburguer, a maionese tava ruim. O tempo tava feio, decidimos parar num posto, na mesma hora caiu o maior temporal. O dono do posto nos deu café e nos ofereceu a ducha para tomarmos banho, que beleza heim. Não poderia ter oferecido coisa melhor! Decidimos ficar em um room para eu me recuperar, estava muito fraca. Room são quartos que a família aluga, são legais e bem mais baratos que hotel.

17/10 - Passamos mais um dia no room, custa 15 euros. Foi bom para descansarmos. Choveu muito.




Igreja Católica Ortodoxa.


A procura do diocamping.

Não sei o que era, mas foi engraçado.

Ruínas de uma igreja do ano de 1.300.


Olá, meu nome é Schumacher!

Nosso breve acompanhante da estrada.





Diocamping atrás da mesquita.









































































































































































18/10 - O dia tava bonito, fomos pedalando devagar pois ainda não estava 100% boa. Passamos por belas paisagens. Chegamos numa vila bem bonitinha, já estávamos seguindo, quando Thiago quis voltar para tirar foto de um trator. Nessa, sai um cara da casa, super sorridente, logo de cara nos convida para tomar café em sua casa, ele se chama Sasa (pronuncia Sacha). Nos apresenta sua mulher, a Mirjana que fala inglês, ela prepara um café pra gente. Ficamos a tarde na casa deles trocando ideia. A mãe de Sasa aparece, muito simpática e nos presenteia com um molho de pimentão caseiro, mas que maravilha! Dá nossa hora de partir, mas eles não deixam. Nessa mesma hora acontecia uma festinha com danças típicas da Sérvia, a menos de 2 km da casa de Sasa. Ele liga pra alguém e nos leva até a festa. Nos apresenta para um rapaz muito gente boa, o Milan. Milan é lider de uma ong da cidade, o Grupo Kobra. Vou falar sobre esse importante grupo:

Grupo "Kobra" foi fundado em 2007 numa casa onde tinha um clube da karate. Desde então, desenvolve atividades ambientais e inspira os jovens da vila para serem mais ativo. A sede da organização está no centro Cultural em Donja Toponica.  O grupo tem mais de cinquenta membros ativos de vilas vizinhas e da cidade de Nis. Até agora, o grupo foi premiado várias vezes por suas atividades: A melhor ação de jovens voluntários na Sérvia em 2008 pelo Ministério da Juventude e Desportos; O projeto mais positivo na Sérvia em 2009 pela Fundação Lugares de Coração; Movimento europeu na Sérvia premiou o presidente do Grupo, como O melhor ativista na Sérvia em 2010. Boa Milan!
Até agora, o Grupo organizou mais de vinte projetos na área em que estão trabalhando, enquanto que os mais importantes são: "Paint in green" - parque para as crianças, em vez de aterros sanitários, "Casa para Todos" - renovação do velho Centro Cultural, (agora uma biblioteca e um lugar para encontros de jovens, oficinas e esportes), "Espaços Públicos para Todos" - em vez de aterro agora um lugar para esportes e recreação, "A vida no Campo Hoje" - passeio de bicicleta com 15 jovens que visitaram mais de cem vilas no sul da Sérvia fazendo um documentário sobre a vida no campo hoje.
Os objetivos da organização: 
* Incentivar a atividade da juventude para a proteção do meio ambiente; 
* Educar os cidadãos, especialmente as crianças, sobre a importância de proteger o meio ambiente, organização de atividades, de modo a reabilitar áreas ameaçadas, bem como a dedicação do público para a mudança de hábitos a respeito do uso dos recursos naturais e tratamento de resíduos; 
* Preservar a tradição e cultura; 
* Trabalho com grupos marginalizados e sua participação na vida social; 
* Reforço da capacidade dos jovens para tomar papéis ativos na sociedade; 

Que organização maravilhosa, gente!

Depois da apresentação, um rapaz do grupo de ciclistas da Karavan Tim, o Svetozar que também faz parte da organização, nos ofereceu um belo jantar, aquele caldo de feijão delicioso. Depois da festinha das crianças, começou a festa dos adultos, foi muito legal e animado. Thiago bebeu e se divertiu muito. Eu como tava meio ruim do estômago ainda, nem me atrevi a beber, mas curti do mesmo jeito. Dançamos muito. 
E foi na sede dessa linda organização que tivemos uma noite super confortável. Valeu demais Kobras!

19/10 - Acordamos cedo, pois tínhamos combinado de tomar o cafe da manha na casa do Sasa. Chegamos lá comemos uns pães deliciosos feitos pela mãe de Sasa. Milan apareceu, nos despedimos de Sasa e de Mirjana e fomos pra casa do Milan. Trocamos mais idéias, conhecemos sua casa e partimos. E mais uma vez bateu aquela sensação de quase choro de gratidão. Tudo isso por causa de uma foto de um trator. Que coisa, não?
Fomos então para a cidade de Nis, descobrimos que tem um campo de concentração e outros lugares importantes da história. Ficaremos um dia para conferir isso tudo. Ficamos num hostel bem bacaninha e barato.

20/10 - Visitamos o Forte de Nis. A fortificação existente é de origem turca, que datam das primeiras décadas do século 18 (1719-1723). Ele é bem conhecido como um dos monumentos mais importantes e mais bem preservados deste tipo em meados dos Balcãs. A fortaleza foi erguida no local de fortificações anteriores - a antiga romana, bizantina, e ainda mais tarde fortalezas medievais. 
Hoje é um extenso parque, com lojas e restaurantes. Achei as ruínas mal preservadas.

21/10 - Deixamos o hostel e fomos visitar o campo de concentração, foi operado pela Gestapo alemã e usada para manter os sérvios, judeus durante a Segunda Guerra Mundial capturado. Fundada em meados de 1941, ele foi usado para deter até 35 mil pessoas durante a guerra e foi libertada pelos guerrilheiros iugoslavos em 1944. Mais de 10.000 pessoas morreram no campo. Depois da guerra, um memorial para as vítimas do acampamento foi erguido no Monte Bubanj, onde muitos presos foram baleados. Um memorial museu foi inaugurado no campo em 1967 e em 1979 os acampamentos foram declaradas Monumento Cultural de excepcional importância e veio sob a proteção da República Socialista da Sérvia.
Uma pena não poder tirar foto dentro do museu.
Visitamos também a Torre das Caveiras: Em 1809, os sérvios não queriam mais fazer parte do império turco, se revoltaram. Porém o exército turco era muito numeroso, começaram a invadir a cidade. Quando o comandante sérvio Stevan Sindjelic viu que não ia ter jeito, ao invés de recuar, botou fogo no seu próprio depósito de pólvora, matando sua tropa e milhares de turcos. O comandante turco Hursid Pasha ficou putíssimo, pegou a caveira de todos os mortos sérvios e mandou construir uma torre no meio da cidade com 928 crânios, inclusive de Stevan Sindjelic que ficava no topo, para mostrar o que aconteceria caso de haver mais revoltados. Mas anos depois da construção da torre, os servios conseguiram a independência. Sinistro foi ver as marcas da morte, em cada caveira, marca de tiro, tinha um com um corte muito fundo no crânio, tipo de machado.
Fomos também visitar o local onde Constantino Magno nasceu, em 337, mas estava fechado para reforma. Essa cidade é muito irada mesmo.
Quando saímos do local onde Constantino nasceu, encontramos um membro do Karavan Tim, o Rajko. Batemos um papo, ele também é cicloviajante e estava na festinha do grupo Kobra. Que massa! O diocamping foi num lugar muito lindo! 


Parada de ônibus na Sérvia.

Pensa numa foto significativa.


Eu, Mirjana, Sasa e Bebezão.

Apresentação de dança típica servia. 



Alguns dos membros do Grupo Kobra e do Karavan Tim. Peguei a foto da página deles.

Grupo de ciclista Karavan Tim, pegamos a foto na página deles também.




Grande Milan, votaria nele fácil para presidente. 

Forte de Nis.




Campo de concentração de Nis.

Campo de concentração de Nis.






Medo desses símbolos.
É dentro dessa igrejinha que esta a torre de caveiras.
Em algumas caveiras dá pra ver a marca do tiro.
Crânio de Stevan Sindjelic.

22/10 - A estrada estava mais tranquila. Fizemos um voluminho, achamos um posto que tinha ducha. Tomamos nosso banho quente, começou a ventar muito forte, aquele vento de chuva. Achamos um diocamping perto do posto, tomamos nossa sopa, entramos e a chuva começa a cair.

23/10 - Choveu a noite toda, pela manha também. Ficamos lá dormindo esperando a chuva passar. Ate que umas 11 da manhã, levantei pra fazer xixi. Quando vi, tinha formado uma lagoa ao redor da barraca, eitha porra! Meu tênis estava submerso na água. Para sair dali tinha que passar pela poça, quando pisei não imaginava que a água estava congelante, meu pé começou a doer sinistramente. Não entrou agua na barraca, pois tínhamos colocado ela em cima de vários galhos cortados. Para pegar as coisas e levar pra um lugar menos encharcado, tinha que passar pela poça e cada vez que entrava nela era uma dor insuportável. Foi horrível. Arrumamos tudo toscamente, e fomos para o posto. A nossa sorte é que tinha um posto perto, se não teríamos congelado. Assim que entrei no posto, não sentia a carne do meu pé, é como se estivesse pisando só com o osso. Coloquei minhas mãos na agua quente, mas não parava de doer. Tive que sentar, relaxar e esperar a dor passar. Nesse dia nos ligamos que o frio da Europa não é brincadeira. Fomos procurar um hotel.  

24/10 - Depois do perrengue de ontem, decidimos começar a planejar melhor as coisas. Não esta rolando de acampar, chegou a hora de gastar a grana que economizamos durante 5 meses dormindo na rua. Fomos pra Dimitrovgrad. É bem dificil pedalar no frio. Mas a gente tem que se mover. A cidade era bem bonitinha, com um imenso comercio. A nossa sorte é que estamos pagando hotel a preço de camping que pagávamos na Europa Meridional. Leste europeu é massa!

25/10 - Pela previsão dizia que ia chover, então ficamos no hotel mais um dia. Chuva nesse frio nem pensar. 


Brincando de fazer foto antiga.
Essa estrada tava linda, mas muito perigosa. Ganhamos o colete sinalizador do nosso amigo Sasa, esta sendo muito útil.



Diocamping maravilhoso.


Cidade de Nis, onde nasceu Constantino Magno.

Pensa num dog lindo. De rua. Demos comida pra ele.


O céu estava exatamente dessa cor quando montamos acampamento, pelo menos aprendemos que quando o céu tiver laranja, vem chuva aí. Esse azul no fundo era do posto que era todo iluminado de azul. Ficou massa o efeito.

Eu fico com frio só de lembrar desse dia. Nosso primeiro perrengue. 


26/10 - Entramos na Bulgária! Fazia um lindo sol e o sol segura bem a onda do frio. É engraçada a reação dos policiais da fronteira. Tem mó fila de carro e a gente na mesma fila, de bike. Eles ficam curiosos para saber de onde somos e de onde estamos vindo. Até agora, só policial gente boa. De todos os países. Quando deu umas 16:00 a temperatura caiu muito. Comecei a tremer, o Thiago me avisa que minha cara ta arrepiada. Quando vi minha cara tava meio enrugada, muito estranho. Sorte que estávamos perto de uma cidade e sorte que tinha hotel nela. Perguntei pra minha amiga médica Sofia, ela disse que é como se as células tivessem congelado. Vixe!

27/10 - Chegamos na cidade de Sofia, é a 12 cidade maior da União Européia. Os búlgaros tem a cara fechada. Eles não são de sorrir. E a maioria que nos comunicamos era meio estranho. Em compensação eles são totalmente respeitosos no transito. Todos os caminhões diminuem ao passar pela gente. Quando não tem espaço para eles desviarem, eles freiam, esperam liberar espaço e ai sim desviam de nós, excelente! Encontramos um italiano, Minarski, cicloviajante, ele parou pra falar com a gente, carregava uma gaiolinha com um cachorro neném dentro, lindo. Disse que estava indo pra Ásia, mas teve que mudar seus planos porque achou o cachorrinho na estrada, lembramos do Schumacher na hora. Ele fez o que não tivemos coragem de fazer, mas também estamos loucos para entrar na Ásia. Não foi dessa vez. Na hora certa acharemos o nosso Schumacher.

28/10 - Demoramos a sair de Sofia. Nosso carregador do note quebrou, tivemos que procurar outro, ainda bem que achamos. Compramos luvas novas de couro sintético, é impressionante como a mão congela rápido. Enrolamos para sair da cidade, já tava meio tarde, fomos procurar um hotel, achamos um camping. Tinha uns bangalos. Nunca vi um camping tão antigo, me senti nos anos 70. Pelo menos era mais barato que hotel, 15 euros.

29/10 - Decidimos parar de dar mole no frio e fazer volume. Acordamos cedo e fomos pedalar. Avistei neve no caminho, quando nos demos conta a paisagem toda estava coberta de neve. E o frio? Tava menor. Paramos para brincar com a neve, é muito massa. O pedal foi gostoso e menos traumático. Estava bom, até surgir do mato 5 cachorros grandes correndo atras de mim, comecei a acelerar e eles não paravam, um tentou morder o alforge, o Thiago veio atrás gritando pra eles saírem. Pow, os dogs da Bulgaria são chatos mesmo. Que susto, que adrenalina, pelo menos esquentei o couro. Achamos um hotel, top, todo novinho, todo lindo. Preço: 25 euros. Inacreditável.

30/10 - Meu niver de 30 anos e niver de 3 anos de namoro com o bebezão. Ficamos descansando, comemos carne. Se tem algo que to sentindo falta é de uma boa carne de vaca. Aqui na Europa não tem carne de vaca boa, só de porco.

31/10 - Dia de enfrentar o frio. Saímos do hotel o clima estava horrível. Depois de um tempo pedalando o céu foi abrindo e o sol lindo apareceu para nos guiar. Fizemos 70 km bem rápido. Chegamos na cidade de Pazardzhik. 

01/11 - Acordamos com um sol brilhante na nossa cara. O clima está melhorando, se pá hoje rola de acampar. Pedalamos bem, passamos rapidamente pela cidade de Plovdiv, comemos no Mc Donalds e saímos fora. Arrumamos um diocamping na estrada, bem escondido. A noite foi ótima, não passamos frio. Como é bom poder voltar acampar e economizar. Estamos bem pertinho da Turquia. A partir daí começa a segunda fase da viagem. Quanta ansiedade!

Olá Bulgária.


Os dogs da Bulgária são meio chatinhos. A gente deu um monte de coisa pra eles comerem. Quando saímos eles ficaram latindo atrás da gente um tempão. Ouxe!


Conquistamos 5.000km e 10 países. Yes!

Sofia, Bulgária.

Igreja Católica Ortodoxa em Sofia.

Pelo caminho.
Camping muito antigo.

Se liga na entrada do camping, anos 70 total.


Dia 30 completei 30 anos.

Brincar no gelo é legal demais!

Gelo é gelado, mas que a paisagem fica linda, ah fica, viu!

É nóis no frio!

Olha que feira com frutas e legumes mais linda. Vontade de comprar tudo.















segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Muito amor na Bósnia.

23/09 - Ainda na Croácia... Essa noite foi a mais fria da viagem. Pela primeira vez dormimos com os casacões. Entramos na Bósnia. Não rolou foto da placa, não tinha placa. Os policiais da fronteira são muito engraçados. Entramos pela cidade de Prnjavor, é uma cidade grandinha que parece pequena, parece um setor de chácara gigante, casinhas lindas, uma graça. Talvez moraria lá, se não fosse o frio extremo no inverno. Arrumamos diocamping no alto de uma montanha, esse dia rolou fogueira, assamos salsichas e comemos milho cozido. Que maravilha.
24/09 - As casas da Bósnia são muito caprichosas, muitas são bicolores, com cores fortes. Arrumamos um diocamping bem embaixo de uma árvore, protege bem do sereno, ficou bem quentinha a barraca.
25/09 - A noite foi tão boa que dormimos 13 horas seguidas. Sempre sonhei com isso. Em poder dormir bem e acordar quando bem entendesse. Agora somos donos do nosso tempo, foi a maior conquista de todas. Pegamos bastante chuva. Pedalar no frio já é ruim, na chuva então, é dose. Já era tarde e a chuva começou a engrossar. Montar a barraca na chuva não tem como. Avistamos uma casinha abandonada. Estava bem suja e feia. E nós agradecemos muito por ter encontrado ela. Havia teto e parede, nos protegeu da chuva e do frio, era o que precisávamos.

Primeiro diocamping na Bósnia com fogueira e tudo.
Pelo caminho.
Diocamping com proteção do frio natural.

Olha a cor dessa planta.

Tempinho feio, viu.

Por dentro da casa abandonada, brincando de fotografia.

E assim tivemos uma bela noite de sono.

Muito obrigada, casinha.

Ta vendo aquela casa grande e bonita? Passamos a noite na casinha da esquerda.

26/09 - Tivemos uma noite quentinha e gostosa. Pela manha fez frio. Isso tem me incomodado. As mãos ficam congelando, o nariz escorrendo e mesmo pedalando não esquenta. Sem contar que com esse frio não rola de tomar banho com a nossa ducha. Pegamos subida o dia inteiro. Uma galera que trabalhava numa madereira gritou pra gente ir tomar um suco, que meninos simpáticos, quanta gentileza.  Chegando numa cidade, perguntamos para um cara se ele sabia de algum camping, papo vai papo vem, perguntamos de podíamos dormir em sua garagem, sem pensar duas vezes ele deixou. Nos levou um colchão e um cobertor. As pessoas são assim, agilizam nosso lado ainda ficam nos agradando com o que podem. Assim que entramos na garagem começou a chover. Sorte!
27/09 - Acordamos cedinho, o cara levou café pra gente. Pena não ter dado tempo de perguntar seu nome e nem de tirar foto, chamamos mas ele não estava mais em casa. O frio é massa porque você se sente menos sujo. Mas depois de dois dias sem banho a sujeira começa a incomodar, era hora de procurar um hotel. No leste europeu acha-se hotel pelo valor de camping. Vimos um, estava fechado. Passamos por uma cidade e o outro hotel também estava fechado. Comecei a desanimar, não queria ficar mais um dia sem banho. Estava tristona, até que encontramos um hotel lindinho por 20 euros, pela segunda vez em quase 5 meses de viagem, ficamos num hotel. Tomar banho é maravilhoso. Ah, esse desanimo todo era TPM. Assim, ficar sem banho é ruim, mas não ao ponto de ficar triste né?

Cemitérios antigos, tinha um túmulo que datava 1885-1905.

Rapazes muito simpáticos. Vladimir, Lazo, Não lembro (não tem face) e Mladjen.

Republika Srpska é uma das duas entidades políticas em que está dividida a Bósnia, sendo a outra a Federação da Bósnia e Herzegovina. Copiei e colei mesmo.
Garagem para se proteger do frio.

É na casinha que o cara que nos acolheu mora. Obrigada viu!

Não tinha hotel nessa cidade. Linda mesquita.
28/09 - O conforto de um hotel é ótimo mas já estávamos com vontade de pegar a estrada. O pedal foi gostoso, o sol estava esquentando bem o couro. A gente reclama do calor quando o sol esta rachando, mas fica 3 dias sem sol pra ver. O sol é alegria. Não moraria em lugar frio de jeito nenhum. Estávamos a procura de um diocamping. Vimos uma fazendinha simples, decidimos ir lá pedir pra acampar. Tinha umas 4 casas, na primeira casa tinha uma senhora. Falamos com ela fazendo gestos, mostrando nossa barraca. Ela simplesmente estendeu o braço indicando que podíamos acampar em qualquer lugar. Gente, é impressionante como os bósnios são receptivos. Em momento algum ela nos olhou desconfiada, parecia que éramos conhecidos. Montamos nossa barraca e fomos preparar a sopa. O filho dela chegou, o Armin e como sabia um pouco de inglês foi lá descobrir de onde éramos, também foi nos chamar para dormir lá dentro da casa deles, acendeu a lareira e nos deu vários cobertores. Mandou o Armin fazer um café, acendeu um cigarro e ficamos lá no quarto, eu, Thiago e Semry, trocando idéia, isso mesmo, cada um no seu idioma, cada um se esforçando para se comunicar, foi muito legal. Que mulher bacana. Que filho legal. Quando na vida poderíamos imaginar que fossemos dormir na casa de uma família na Bosnia? É galera, é isso que a cicloviagem nos proporciona. Experiências maravilhosas, contato íntimo com as pessoas. Incrível demais.
29/09 - Pela manhã fez frio, mas logo o sol apareceu. O clima esta assim: amanhece com uma neblina forte e fria, depois o sol aparece e esquenta. Lá pelas 18:00 quando o sol se põe a friaca volta com tudo, depois volta a neblina e a madrugada é bem gelada. Entramos numa cidade e vimos as primeiras casas metralhadas da Guerra da Bosnia em 1992. Tenso. Tenso e triste. Muitas casas abandonadas. A Bosnia é lotada de cemitérios, por todas as partes, a maioria de muçulmanos. Existem muitos muçulmanos na Bósnia pelo fato dela ter feito parte do império turco-otomano do século XV até o século XVII.

A verdadeira ovelha negra.

Pelo caminho...

Thiago, eu, Semry e seu doguinho.

Esse é o Jamaica, mais um membro da fazendinha. Lindo.

Obrigada pessoas queridas!

Pelo caminho...

Primeira casa baleada que vimos.

Esse prédio foi arregaçado demais.
Cemitério muçulmano.
30/09 - Chegamos na cidade de Visoko. É lá que existem as pirâmides mais antigas do mundo. São três pirâmides: do Sol, da Lua e do Dragão. Sim, eu sei que você nunca ouviu falar, vou dar uma breve explicada. Em 2005 começaram a divulgar a teoria de que o morro então conhecido como Visocica se tratava de uma obra humana, sendo uma das pirâmides mais antigas do mundo, mais antigas que as do Egito, inclusive. A teoria partiu do escritor e metalúrgico Semir Osmanagic, arqueólogo amador nas horas vagas, ele descobriu que a pirâmide é revestida por um concreto bem antigo, levou a 3 laboratórios onde foi constatado que esse concreto é 3 vezes mais forte que o concreto que produzimos hoje em dia. Ele também descobriu uma rede subterrânea de túneis debaixo da pirâmide. A Pirâmide do Sol, como agora é conhecida, tem 213 metros de altura, sendo que a de Quéops no Egito tem 137 metros. O grande problema é que vários arqueólogos não acreditam nessa teoria e alegam que essa teoria surgiu para aumentar o turismo na Bósnia.
Bom, no momento a pirâmide esta coberta de vegetação, fomos lá e tem algumas partes escavadas. Realmente não parece que é natural, pois tem vários blocos de concreto e dá pra perceber que a parada é certinha com o propósito de formato de pirâmide mesmo. É muito antiga, cerca de 12.000 anos, deve ser difícil encontrar registros. A Pirâmide do Sol também emite energia pelo seu topo. Ah gente, eu acredito sim que é uma obra humana. É fantástica.
Fomos procurar hotel e encontramos um por 75 euros, há. Nunca. Já era de noite e nada de acharmos outros hotéis. Vimos um cara na rua e perguntamos pra ele. Ele pegou sua motinha e nos levou até um local, por uma subida muito inclinada, difícil ate de empurrar a bike. Chegando lá era um apartamentinho de uma família muçulmana. Pensa num ap arrumadinho e totalmente aconchegante, parecíamos que estava na casa da avó. Tinha quarto, sala com tv e cozinha por 20 euros. Que delícia. Detalhe que ficava no pé da Pirâmide do Sol.


Foto adquirida na internet.

Nos energizando.

Várias camadas de concreto.
Tentamos subir até o topo, mas tava um lamaçal e era muito inclinado. Tava esperando o Thiago escorregar para tirar uma boa foto. 
Cicloviajante também tem seus dias de conforto.


Medo desse olhar, ainda com a faca na mão. Hhuauahua

Só conseguir fotografar uma das pirâmides.

Que cadela linda, quase peguei ela pra mim.





01/10 - Chegamos em Sarajevo. A primeira coisa que vimos foi o cemitério. Nunca vi um cemitério tão grande, é um mar de túmulos, 80% de muçulmanos. Em Saravejo deve ter uns 15 cemitérios, no mínimo. Passamos por uns 10. A maioria das casas tem vestígio de balas, as que não tem é porque foram reformadas. A cidade é toda grafitada. É uma mistura de casas antigas, baleadas e grafitadas, parece estranho mas é lindo. A noite é super badalada, com vários bares de todos os tipos, muitos turistas mas nada muito bombado de gente, é bem tranquila e bonita. Muito hostels baratinhos, pagamos 8 euros por pessoa. Não tivemos nenhum estresse de cidade grande.
Vamos falar um pouco da guerra: como disse la em cima, bosnia fez parte do império turco-otomano do século XV até o XVII, quando foi conquistado pelo império Austro-hungaro. Sarajevo foi cenário do acontecimento que desencadeou a primeira guerra mundial, foi lá que o terrorista sérvio Gavrilo Princip assassinou o arqueduque Francisco Fernando ou Franz Ferdinand da Austria. Ele foi assassinado porque alguns grupos separatistas, principalmente o grupo mão negra o qual pertencia Gavrilo, queriam a formação da grande servia e a independência do império austro-húngaro.
Depois da guerra, a Bósnia foi anexada ao reino iugoslavo (agora é Sérvia e Montenegro) onde permaneceu até 1992. Nessa data a Bósnia declarou independência. Ao se separarem da Iugoslávia, sérvios-bósnios não queriam a separação, por isso aconteceu a Guerra da Bósnia que durou ate 1995 e foi financiada pelo presidente sérvio Slobodan Milosevic. Foram 200.000 mortos.
As tropas servias cercaram toda a cidade de Sarajevo, cortaram água, luz elétrica e comida. E da-lhe bombardeios. Os bósnios então, construíram um túnel embaixo de uma casa cedida por uma família. Esse túnel tinha 800 metros e chegava até o aeroporto onde a zona era neutra, controlada pela ONU. Então, esse túnel permitiu que os habitantes recebessem comida, armas e gasolina. Salvando muita gente. Demais!
Calma que a desgraça ainda não acabou. Em julho de 1995, aconteceu o Massacre de Srebrenica, foram mais de 8.000 bósnios muçulmanos mortos. Foi um dos eventos mais terríveis recentes, o maior assassinato em massa na Europa depois da Segunda Guerra Mundial. O General sérvio Ratko Mladic depois de atuar na guerra da Bosnia, simplesmente mandou exterminar os muçulmanos, da forma mais cruel possível: matando as crianças na frente de suas mães, estupros e corpos enterrados em valas qualquer, quando não eram enterrados vivos. Mladic foi indiciado por crimes contra a Humanidade, crimes de guerra e genocídio. Ele só foi preso em 2011, na Sérvia.
Aí a gente imagina: na Bósnia só deve existir pessoas infelizes e desconfiadas e o clima deve ser bem pesado. Não. Os bósnios são pessoas lindas, simpáticas, acolhedoras, gentis, humanas, simples e vivem muito bem, obrigada. Ninguém fala sobre a guerra, ninguém se lamenta por nada, eles superaram. O país é todo lindo. Nós amamos a Bósnia. Créditos para o meu amigo historiador Higor (Sangiv) que me ajudou a entender isso tudo. Valeu Sangivão.

Grafite e marcas da guerra.

Biblioteca de Saravejo em chamas, foi toda destruída, perderam livros valiosos e tudo o que tinha dentro virou cinza. Peguei a foto na internet.
A Biblioteca hoje, totalmente restaurada e linda.








E foi assim que a cidade de Saravejo ficou. Foto adquirida pela internet.

Triste imagem.

Casa onde fica o túnel. Haja importancia.

Dentro do túnel. Quanta coisa aconteceu por aqui heim.

A cidade toda foi cercada, em vermelho as forças servias.

02/10 - Dia de procurar a pista de bobsled. Sarajevo foi a cidade sede das Olimpíadas de Inverno de 1984. Tivemos que subir o morro e depois de subidas infinitas, encontramos. Não tem indicação nenhuma, quem quiser visitar tem que ir a luta, a Bósnia é largadona com o turismo, eu acho isso muito legal. Sempre quis conhecer lugares abandonados, sempre quis sentir a energia que se mantém nesses lugares. Fiquei imaginando como deveria estar aquele lugar nas olimpíadas, aquele clima de festa e alegria. Primeiro que eu nem sabia o nome desse esporte muito menos fazia idéia de como era uma pista. Só sei de uma coisa, ficamos numa vontade louca de poder entrar num carrinho desse e descer, sem medo de ser feliz. Como não havia carrinho muito menos gelo, nos divertimos com o que estava ao nosso alcance, descemos com as nossas bikes. Foi irado, fizemos até um video, ficou engraçado demais, mais abaixo vai ter o link. Antes de chegar na pista encontramos 3 casas totalmente metralhadas, e pela primeira e única vez vimos a tristeza no olhar de um bósnio. Um senhor que morava ali na região passou por nós, fez o gesto de metralhadora apontando para a casa, baixou a cabeça e foi embora. Deu dó demais.

Pela cidade.

Foi nessa casa que o homem triste passou por nós.


Aqui deveria ser a concentração das equipes ou os banheiros.

Pista de bobsled.

30 anos depois...


Tem grafite por toda parte.

Olha a altura que os caras chegam.

Imagina como deveria ser 30 anos antes. Tentei achar foto, mas não consegui.


Australianos.



04/10 - Niver do meu querido papi, Sergio. Parabéns pai, te amo. Depois de um dia de descanso ontem no hostel, sem nem botar o pé pra fora, era hora de partir. As vezes dá uma preguiça sinistra, na real o frio dá muita preguiça, só dá vontade de ficar deitado enrolado no cobertor. Mas esse conforto deixamos em Brasília e a nossa nova casa é a estrada, então, bora nessa. Arrumamos diocamping no terreno de um cara, um sérvio (vixe), heuheuue, mas nada a ver, pessoa boa também.

05/10 - Noite tranquila e quentinha. Pegamos muita subida para variar. Passamos por Pale. Arrumamos uma construção abandonada para dormir e foi nessa noite que passamos por terror e pânico. Calma mães, to só fazendo um suspense básico. A casa estava em construção e deu para perceber que as obras estavam paradas há um tempo, a grama estava cortadinha mas não tinha nada perto, com certeza o dono não se incomodaria de passarmos a noite lá. Tomamos nossa sopa maravilhosa e fomos dormir. De madrugada surge um dog gigante rosnando igual o capeta. Que rosnada horrível, parecia que ele ia estraçalhar alguém, no caso a gente. Quando não estava rosnando estava latindo, sem parar. Comecei a achar que pudesse ser o cão do dono do terreno que ele soltou de madrugada, o Thiago estava sonhando com hienas, acordou e viu que o rosnado não era apenas um sonho. Ficamos com um baita medo. Como não havia o que fazer, continuamos na barraca. Até que descobrimos a real treta. Nada mais era que um cachorro de rua protegendo seu precioso osso. Essa rosnada toda era com os outros cachorros que tentavam se aproximar. O latido era pra gente realmente, porque ele estava mais grilado com a gente do que tudo. E assim tivemos mais um experiência interessante, presenciamos o gueto canino. Não é fácil não. Nós e o dog na mesma situação com necessidades diferentes. Nós precisávamos do espaço para dormir, o dog para proteger sua comida, ambos com medo. No dia seguinte, levantamos com cautela, ele não estava mais lá. Começamos a arrumar as coisas, o Thiago foi la fora e viu um doguinho, que assustado saiu correndo. Ele também encontrou o osso, que na verdade era um par de chifre de alguma coisa. O medo da madrugada é foda. Ê vida de cão! Rimos...

06/10 - Falta pouco para deixarmos a Bosnia. Pegamos a estrada quando do nada acaba o asfalto e começa uma trilha, um caminho muito lindo entre as montanhas, com um lindo rio. Passamos por uns 20 túneis antigos e totalmente escuros, muitas minas ativas ainda. A segunda estrada mais legal que passamos. Foi uns 15 km de paisagem linda. Bosnia nos surpreendendo nos momentos finais. Acabamos ficando num hotel, era 30 euros, mas negociamos por 20. Precisávamos lavar as coisas e nos lavar também, tudo está com cheiro de mofo e os colchões com cheiro de xixi de gato (Pivete) que reviveu do nada. Lavamos tudo e tomamos aquele banho maravilhoso. 

07/10 - Quando pensa que não tem mais nada lindo para ver na Bósnia, ela deixa a paisagem mais linda pro final, pra você ter a certeza de que amou esse pais e para já te deixar com saudade. Desde ontem que o lindo rio nos acompanha, o Rio Lim. Mais montanhas por todos os lados. Estava tudo muito lindo até encontrar algo muito triste. O lindo lago se transformou num depósito de lixo velho. Toneladas e mais toneladas de lixo no lago. Casas lindas a beira do lago cheio de lixo nas margens. Adeus Bósnia, foi muito bom!

Palco do gueto canino.

Passamos por uns 20 túneis desse.


























Estava cheio de minas ativas, mas toda a região tem placas indicando.



Estrada de chão maravilhosa.























Nos lembrou os Picos da Europa, na Espanha.
Momentos finais na Bósnia.
Tava lindo demais pra ser verdade...


Ô tristeza!

Ultima cidade bósnia que passamos.

Último diocamping atrás dessa linda montanha. Perceberam que tem uma casinha na montanha?

Adeus Bósnia querida!